Sábado, 25 de Agosto de 2007

CONFRARIA DA REBALDARIA

 

É a tia e o tio, a prima e o primo, na casota da portinhola da Brisa a desviar o tostanito.
É o da nota falsa na expô à sua vontade enchendo o odre à grande e à farta.
É o cavaleiro sem cavalo, em mota montado, do vil metal caçador,__ autoridade fardada por sinal.
É o ZéZé, esse mesmo, o tal! Pelo mundo fugido passeando em beleza em farras com certeza.
É o caldeira, o da porno – bandalheira numa boa à sombra da bananeira.
É o cunhado do outro que foi primeiro-ministro agora acusado de ter metido o bico em bom petisco.
É aquele que foi ministro e tinha conta choruda na Suíça. Disse que era do sobrinho! Desculpa esfarrapada para enganar a justiça.
A bronca mais recente na roubalheira, é a de uma alta esfera na secreta, acusada de meter foice em seara alheia, se abotoar com dinheiros apreendidos em operações especiais. “Ora lá diz o povo : ladrão que rouba ladrão, tem cem anos de perdão!”
É aquela da assinatura na folha branca. Aqui ou há grande fraude ou a tal é uma grande tansa e papalva.
É o do carrão de marca Jaguar armado em pimpão por Lisboa a assapar.
É um tal de Félix que por sinal é um lindo nome para cão, nas baixas médicas a meter a mão. As baixas fraudulentas não consegue controlar precisa de: para fiscal a fiscalizar, fiscal e meio a vigiar.
Anda um desgraçado a vida inteira a descontar para isto e para aquilo! Pagar! Só pagar! E sem refilar.
Eis os compadres e os confrades desta confraria da rebaldaria.
Em verdade, em verdade vos digo:
“Se a memória não me falha há por aí muita desta escumalha!”
Para mim, boa poesia não é aquela dos dois tractores, amor de loira , amor de morena, como o melhoral que nem faz bem nem mal, nem daquela do abstracto prenha de ar, vazia de substrato.
Aqui deixo estes relatos para que sirvam de recados àquela gentinha que troca votos por promessa de casa nova.
Sempre ouvi dizer que anda meio mundo a roubar o outro meio.
Mas cá para mim, anda mais que isso. Andam dois terços a roubar o terceiro terço.
Rouba o pequeno, rouba o grande, rouba o branco, rouba o preto, rouba o esfarrapado, rouba o engravatado, rouba o do colarinho e o do lacinho.
Isto assim não tem piada! Isto assim não é democracia! Ou há moral e comem todos, ou então dá-se um pontapé no rabiosque desta situação.
Por isso proponho que passemos todos a roubar. Ora roubas tu, ora roubo eu. Assim tudo girará nos carretos como em máquina bem afinada.
Quando a este estado de “graça“se chegar, tudo isto se tornará tão banal que o agora chamado de crime , irá ser despenalizado. E então, nessa mesma hora, o meu tão querido Portugal tornar-se-á no verdadeiro país das bananas, no paraíso onde tudo e todos serão mais iguais. “Foste roubado ? Não faz mal . Rouba tu agora e torna a encher o saco.”
Em frente, em frente marchar na guerra da roubalheira !







publicado por Entra ou Sai às 15:58
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Quinta-feira, 16 de Agosto de 2007

Vindimas e lagaradas

 

 

São tempos idos, tempos que já lá vão. Ó! Como é tanta a   saudade que eu tenho  daqueles tempos de outrora.

Velhos e novos lá íamos de cesta ou  balde e tesoura ou navalha na mão.
Negras e loirinhas lá iam caindo, no cesto ou balde, no bucho do velho,  ou no do jovem , menino ou menina.
Eram tempos de festa. Toda a gente alegre cantava, um bago tragavam e uma cantiga cantavam. E o dono muito aflito ao vento lançava:
“Cantai, meninas cantai! Que o vosso canto tem encanto! Cantai, cantai até fartar! Cortai, cortai as minhas uvas sem parar.
 Eu o ouvia, ouvia e sorrateiro baixinho dizia:
__Canto, canto! Agora posso cantar! A minha pança há muito que está cheia das que te vinha roubar pelo luar da Lua cheia.
Ao luar algumas vim roubar, E que rico paladar elas tinham! Sabiam-me muito melhor roubadas que dadas.
Pela noite vinha a pisa. Ao ritmo de “esquerdo e direito” da voz de comando, lá íamos marchando.
Lentamente, milímetro a milímetro, lá íamos avançando.
Já depois de bem pisadas, com as pernas de vermelho pintadas começava a grande festa para qual a festança do dia tinha sido apenas um aperitivo.
Ao som do realejo, acordeão ou concertina os magalas improvisados acompanhavam com cantigas em voga.
Mais ou menos afinados, cantávamos, cantávamos. Mas às tantas lá se ouvia uma arranhadela desafinada saída da garganta de alguma boca desdentada.
Era o cantar de algum Manel, Tonho ou Zé, que desdentado desafinava pois que para dentista o seu magro pré não chegava.
No dia seguinte era hora da repisa. Com a lagarada mais aguada a tarefa era mais simplicada.
Toca a marchar, Toca a marchar! Mas as pernas cansadas a marchar se recusavam. A cabeça doía, ainda ressentida da ressaca da véspera, provocada pelo vinho do garrafão, que regou o bom petisco: presunto, chouriça, ou salpicão.
Para carne do talho não havia tostão. Mas havia bons enchidos, boa broa, ou bom pão com mistura de trigo e centeio.      
Ainda meio-dia não tinha dado o relógio da torre e já andávamos todos dopados outra vez. Mas agora a culpa maior era do cheiro do mosto.
Pela tarde começava o mais difícil. Era preciso criar apetite para os braços da atarraxa puxar para daquelas cascas todo o sumo tirar.
O mosto enchia cântaros, tonéis e pipas. E aquele “néctar dos deuses”, lá ficava a fervilhar até ao dia do São Martinho.
Era neste dia, com a bênção deste santo que se provava o vinho novo.
E nos dias mais próximos era uma alegria! Não havia lugar a tristezas. Toda a gente, homens e mulheres, esqueciam as maleitas e as agruras do dia-a-dia da vida.
Naqueles tempos, era árdua a tarefa da lavoura. Sem horário certo, a jorna, normalmente era controlada pelo, _ sol – a – sol.
Quem, para si mesmo trabalhava, esse horário pela noite ou madrugada prolongava. Nas regas ou outras tarefas, a fresca aproveitava porque a caloraça tréguas não dava.
Era árdua a tarefa, amargo o viver. Mas, por incrível que pareça o povo ainda arranjava vontade para cantar e dançar.
Eram ranchos de gente a labutar: no amanhar da terra, a mondar, __a arrancar ou chacholar as ervas daninhas para a cultura medrar.
 Eram tempos em que as aves sempre rondando, para algum bichito ou verme aproveitar, ou talvez até para daqueles alegres cantar algo aproveitar.
Ó que saudade daqueles tempos. Tempos das vindimas, das pisas e lagaradas. Ó que saudade  daqueles tempos, tempos idos, tempos de outrora , tempos que já lá vão ! 
Agosto de 2007
 
 
 
publicado por Entra ou Sai às 20:49
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Sexta-feira, 10 de Agosto de 2007

DEDICATÓRIA

 

 

Que estas

Palavras

Em forma de dedicatória escritas

E a ti dedicadas  

 

Que essa vontade  

Esse querer

Nesse longo

Caminhar no trilho

Do aprender

 

Que esse chegar

Seja apenas o curvar

Da curva

Do fim da rua

 

Que o corte

Da meta

Dessa

Etapa

 

Por fim sejam o Bálsamo

Curador

 

O tónico

Rejuvenescedor

 

O Impulso

Continuador

 

Que por fim tudo seja compensado

Com muita saúde e sucesso

Para continuares vida fora a aprender  

Aprender até morrer.

Agosto de 2007

publicado por Entra ou Sai às 11:25
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