Quinta-feira, 26 de Julho de 2007

Cambada de incompetentes

 

 

 É quarta – feira e são onze e meia da manhã.

 Ligo a Tv. e o respectivo receptor da parabólica para trazer até à minha sala o meu querido Portugal.

  Decepção! Lá está o programa habitual, certinho, igualzinho.

  Passo pelos outros canais e a dose repete-se, quase tirada a papel químico. Os mesmos temas! Os mesmos artistas!

  É verdade que o meu país é pequeno, logo o lote dos seus artistas é forçosamente pequeno, mas que raio! É sempre alguém da mesma colecção, devidamente apoiada e viciada!  Hoje está neste, amanhã no outro, e  assim passam por todos.

     Nas duas primeiras semanas de Julho estive de férias em Portugal.

   “ Tenho que puxar a brasa para a minha sardinha, se não for eu, ninguém o vai fazer”, __ pensei.

  Por mail e telefone, estabeleci vários contactos com pessoas responsáveis por certos programas das nossas tvs., propondo a minha ida aos tais programas a fim de apresentar os meus livros e falar de, e o quê, eles achassem por bem.

   Não tive resposta de ninguém. E alguns prometeram responder.

   Cambada de incompetentes!

   Cambada de incompetentes, de irresponsáveis, de baldas, etc.

Iguais a uma grande parte que por lá “reina”. 

   Vejam só isto: __ Cinco semanas antes da minha chegada a Portugal, contactei várias tipografias pedindo orçamento para uma edição de autor, que eu queria personalizada, com capa dura, para oferecer a mim mesmo, para os meus familiares, e alguns amigos.

   Vergonha das vergonhas! Ninguém me respondeu!

Eu, para todos os efeitos fui um cliente que bati à porta daquelas firmas e pelo menos por educação merecia uma resposta.

  Será por estas e por outras que o mercado português não se implanta, não se expende como deveria?

Será isto um pequeno factor, (mas muitos milhões de grãos de areia fazem uma praia!) do estaguenamento visível em várias áreas e que leva ao estado de: __”marcar passo”__ do nosso Portugal?

 

   Vendo bem, ainda bem que os tais das Tvs., não me deram resposta. Porque perante aquela grandeza espalhafatosa! Espectacular! Sensacionalista! Do conteúdo habitualmente exibido nos tais programas, os meus livros iriam puxar-me as orelhas pelo facto de os fazer sentirem-se tão pequeninos e deslocados.

Há males que vêm por bem. Assim, escaparam àquela tortura.

Relanço o meu olhar pelos pacotes, e eles  ali estão  : __sossegados, ignorados, mas felizes! 

 

Rorschach, Suíça, 25 de Julho de 2007

   

                                                       ***

__É Agosto. Já regressei das férias. Pelo facto de não ter tido resposta das tais tipografias, Sinto-me mal , muito mal . Grandes sacanas! Pelo menos a uma vou ter de lhe dar nas orelhas, a ver se alivio este “saco”, pensei.

 
Agarrei no telefone e lá foi isto:
__Está? Bom dia . Quem fala? É o Sr. fulano de tal?
__Sim é o próprio.
__ Ainda bem que o apanho  . Diga-me uma coisa por favor:
O Sr. é um empregado ou o patrão?
__ Sou o patrão, __ Ouço.
__ Ainda bem, escute lá isto. Há uns dias falei consigo sobre um projecto de um livro assim, assim etc. e tal, para o qual lhe pedi um orçamento. Lembra-se?
__ Sim, sim, lembro-me muito bem.
__ Óptimo. Voltei a telefonar mais tarde e o Sr. disse-me:
 ” Sim já está para ali qualquer coisa feita, se ainda não recebeu é porque a menina se esqueceu e ainda não mandou. Mas eu vou já falar com ela. Fique descansado. “  
Estou a falar para lhe agradecer a resposta que não tive. Já agora, por favor, diga-me mais uma coisa: __ essa tal menina é empregada ou é sua esposa.
__É empregada. Porquê? __ Responde ele.
__ É que se fosse sua esposa, o melhor que fazia era divorciar-se imediatamente. Como é empregada recomendo-lhe que a despeça já. Porque com essa falta de atenção, com essa irresponsabilidade, aos poucos, vai estragar-lhe a firma, talvez até levá-la à falência.
Se precisar de motivos para isso, conte comigo, assino por baixo.
 
Do outro lado da linha, silencio total.
“Ficou aparvalhado e não sabe o que responder. Isto assim é tempo perdido, não dá luta, é como bater no ceguinho, pensei.
__ Tenha um bom dia com tudo de bem e de bom, desejo-lhe (apesar de tudo), em jeito de despedida.
__ Bom dia. Foi só o que o homenzinho conseguiu dizer.
E pronto. Apesar de nada ter lucrado com isto, pelo contrário, gastei mais algum no telefonema, mas valeu pelo alívio que de seguida senti.
Pelo sim ou pelo não carreguei a espingarda para que esteja pronta para a próxima batalha que por certo virá.
São muitos os empecilhos com que eu tropeço no meu dia-a-dia.
E sem jeito, me torturam e me espicaçam.  
E eu, cá estarei para lhes dar luta com teimosia e frontalidade.  
 
Por saber que isto é apenas o exemplo das tantas mazelas que conspurcam a sociedade, que serão precisas muitas atitudes destas para mudar comportamentos, apesar de me sentir só nesta luta,
Continuarei a marchar em frente e de peito erguido.
 
    
publicado por Entra ou Sai às 11:39
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