Segunda-feira, 26 de Março de 2007

Tão perto e tão longe

 

 

Tão perto e tão longe…

Inaceitável paradoxo  

Que não vejo

Mas que sinto

Omnipotente!

Omnipresente!

 

No casulo

Desolador

Deste infortúnio

Pelo destino

Imposto

 

Exangue

Gota

A gota

Esvaio-me.

 

Sento-me

E espero

Pelo malho

Do tudo

Ou do nada…

 

Do tudo ou do nada…, que há-de vir.

 

Seja o que seja

Que venha

Nem que seja

Somente um olá.

 

Seja o que seja

Que venha

Mas que venha

E acabe

Com o efeito

Deste silêncio

Castrador.

 

Seja o que seja, contentar-me-á?

Sei lá?! O tempo o dirá.

 

O tempo! Sempre o tempo!

Por vezes justiceiro

Exterminador.  

Por vezes

De todas as mágoas bálsamo curador.

 

Exangue, sento-me e espero.

 

Março de 2007

 

publicado por Entra ou Sai às 19:15
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Domingo, 11 de Março de 2007

A branca veiga na folha vazia

A branca veiga

Na folha vazia

Espera a presença

Da minha alegria

Ou da minha azia.

 

Do que sair

Quando sair

Se sair.

 

Enquanto algo disto

Ou parecido com isto

Ao papel não chega

Acumulo orgias

E diarreias

Mentais

E outras coisas

Mais.

 

Que ao derramar, ao sabor da ocasião

Enfeitarão

Verborreias ocasionais

Uis e ais.

E outras coisas mais.

 

9 de Março de 2007 

 

 

 

publicado por Entra ou Sai às 00:28
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Sábado, 10 de Março de 2007

Manjedoura de vampiros

  
 
Esta coisa a que chamam de globalização, envolta em flexibilidade laboral, no pagamento de ordenados mínimos, nas falências fraudulentas, nas deslocações vantajosas, na poupança crónica nos meios humanos, na gula, na ganância, do grande capital, aliados às sanguessugas das seguradoras que pouco ou nada asseguram, que de pronto abrem as mãos para receber, e quando toca a pagar, sem escrúpulos depressa atam os cordões à bolsa, criaram um sistema redutor de regalias sociais, as quais para serem conseguidas, foi preciso que acontecessem, grandes lutas das camadas operárias ao longo de várias décadas, que fizeram derramar muito sangue.
 Antes havia uma escravatura, na qual os negros é que pagavam as favas. Agora existe uma espécie de escravatura, moderna e incolor, onde todos, ou quase todos, são triturados.    
E perante isto os governantes: ou cúmplices fecham os olhos e ceguetas fingem nada ver, ou submissos nada fazem no sentido de controlar esse apetite devorador, criando um esquema de condições e de regras num sistema socialmente mais justo. E somente porque foi esse mesmo capital de gula desenfreada que ao lhes patrocinarem as campanhas eleitorais, os elegeram e os montaram no cadeirão do poder
  E assim, vamos indo. Uns assim – assim remediados acomodados, domesticados. Outros, compram cama vendem mesa e deitam conta à pobreza, __ como diz a canção__, enquanto a corda bamba da filha da puta da porca da vida, não se rompe e os atira para a sarjeta da vida, e, como desgraçados degredados os condena a vegetar na lama e no pó.
 Os restantes como donos e senhores do mundo, ora na pele de ave de rapina, ora na pele de fera predadora, juntam-se em grupo e vão-se deliciando na manjedoura dos seus primos vampiros.
 
Março de 2007
 
 
 
publicado por Entra ou Sai às 20:20
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Domingo, 4 de Março de 2007

Insónias

INSÓNIAS

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É sexta-feira à noite. São nove e tal. Amanhã tenho que ir trabalhar. A Tv. está a dar o jogo do Sporting com o Beira Mar.    Se fosse o meu Benfica, ainda merecia fazer um esforço para ficar a ver, assim, decido ir para a cama para carregar as baterias.São agora dez para as dez. Ligo a Tv.  do quarto na esperança de enquanto não adormecer assistir à boa notícia de algum golito do Beira Mar.Acordo. São dez para as onze. Passou uma hora, perdi o fio ao jogo, apago a Tv. Ouço as vozes, da minha filha e a da minha mulher.   Quando a minha mulher se vem deitar, digo-lhe:   Bolas! Então tu quando é ao contrário não suportas nem o gorgolhar da água do enfeite no aquário. Estás sempre pedindo para baixar o som da Tv. e tu não consegues controlar esse vozeirão?   Parece um trombone!   Não me responde. Para quê? Sabe que tenho razão!   Esta noite era para ter ido a Zurique a uma cena que não se concretizou. Estava esperando por uma noite mal dormida, talvez ter de fazer uma directa como já há muito que não faço.   Estou a ficar velhote para essas coisas e tenho-as evitado.   Uma criatura de quatro patas, que, como enteado ou filho adoptado me meteram em casa, que usa e abusa da minha paciência. Às vezes quando estou à secretária, ela põe-se em posição a dizer-me que quer saltar-me para o colo.      Não me convém porque para lhe dar espaço  obriga-me  a  afastar-me e não me deixa fazer nada de jeito, então faço de conta que não a entendo, e chego-me à frente.   Mas ela, mesmo assim, sem permissão, salta e bate com o costado na madeira e ali fica com as banhas dependuradas e as unhas a fazerem estragos nas minhas coxas. Lá vou eu puxá-la para cima, pondo-lhe as mãos nos entre folhos, coisa que ela normalmente não admite, mas daquelas vezes sim.   Outras vezes não salta. Usa uma táctica engraçada. Salta para a cadeira e por entre ela e as minhas costas, passa para o braço da cadeira, encosta e roça a cabecita no meu cotovelo às marraditas a chamar-me a atenção.   Como resistir a esta ternura? O pior é que, não lhe basta.   Passeia pelo teclado ou ainda como cúmulo, senta-se e põe-se a olhar para mim como que a perguntar: “ Estás a ver ? Quero , procuro e tenho”.    É de uma fidelidade canina. Deita-se nos meus pés quando estou na sanita. Senta-se quase em cima dos pés da minha mulher quando está a cozinhar. Sabe bem as rotinas cá de casa.Vai despedir-se à nossa abalada e esperar-nos à porta à chegada.   Até nos convida para a brincadeira. Como atleta Olímpico corre e salta por todo o lado.    Como um cão, pega com a boca e trás de volta o que para longe, em jeito de brincadeira lhe atiramos.          Brinca com tudo, contenta-se com coisas simples e baratas, como por exemplo: novelos de linhas, elásticos, os plásticos coloridos e barulhentos que envolvem os rebuçados, etc.   É arraçada de Siamesa. Para  não deixar por mãos alheias, afama do carácter, da raça da sua gente, de vez em quando mostra o quanto é imprevisível. Está numa de ronrom parece muito bem e contente e de repente eis que lá vai dentada! Até nisso é canina. Morde mais do que arranha.   Esta criatura de quem vos estou a falar para que conste, é a gata Senhora Dona Esperança. É este o seu nome.   Sinto-a a chegar e a aconchegar-se ao triângulo composto pelos meus joelhos flectidos. É uma fornalha! Daria muito jeito se a casa não tivesse aquecimento, assim torna-se incomodativo.   Sinto gases nas entranhas que me provocam uma terrível batalha naval, que deveras me incomoda. Apetece-me largá-los. A mim não me incomodaria nada pois que não tenho olfacto e não seria por essa poluição que morreria pois que há piores.   Mas, quando às vezes largo algum, mesmo que seja de pantufas a minha mulher reclama e é uma guerra.    A cama é enorme. Uma vez medimo-la assim: cada qual deitado de lado e esticando os braços não nos chegámos a tocar. Por isso é que não ouço o seu respirar e só sei que dorme quando ressona.          Desta vez como me sinto deveras incomodado aperto a válvula do escape, arrisco, e eis que lá vai uma pantufinha.   Escapei, não reclamou. Já deve ter adormecido, __ pensei.   A gata talvez por ter sentido alguma parte do vento mal cheiroso que tenha atravessado a roupa e  lhe tenha estragado a tinta da carroçaria começa numa sessão de lambedela a poli-la num cadenciado clac-clac. “Está calada ó Esperança ,  que me estás a incomodar “.   Num afago carinhoso passo-lhe a mão desde a cabeça até ao rabo. Demorando um pouco na lombeira, como ela gosta. Pior a emenda que o soneto. Deliciada, entra numa enlevada onda, num repetitivo ronrom-ronrom.   O tempo vai passando e do sono nem sombras!   Contar os carneirinhos, já noutras vezes não resultou.   Para contar os barrotes é preciso estar com um certo apetite, que naquele momento está ausente.   Tenho a certeza que agora já dorme porque ouço a orquestra do seu ressonar que já entrou ao serviço. Parece a “malhadeira” lá nas eiras da minha terra em tempos idos.   Era cá um barulhão que se ouvia a quilómetros! E se alguém não a ouvisse, bastaria olhar que logo veria a nuvem de poeirada da pragana provocada pelo cereal ao ser malhado, para se saber onde estava.Aquele pó entrava pelas roupas e colava-se ao suor e provocava um enorme tormento. Entrava pelas narinas e garganta que nem uns copos de tinto de vez em quando bebidos, lavavam.Fui obrigado a acordá-la para lhe dizer: vira-te para lá a ver se adormeço. (Às vezes resulta).Resmunga qualquer coisa inaudível e vira-se.   Por momentos houve paz.     Só a bomba de ar do aquário, para fazer a água borbulhar e melhor o enfeitar, persiste.      Foi sol de pouca dura. Dez minutos depois recomeça a mesma música, a mesma canção, até parece disco riscado!     Ao lembrar-me disto sinto uma comichão na garganta.   Levanto-me e vou ao frigorífico buscar uma cerveja.   Aproveito para verter águas. Não dentro do frigorífico como fez um que morou lá para os Lados de Zurique. Ouvi contar que uma vez, com uma grande bebedeira urinou lá para dentro pensando que aquele caixote era o urinol.   Eu já li na Internet uma história igual. Cá para mim esta é mais uma daquelas anedotas que rebolam como bola de neve.   Como aquela da moçoila que foi para Lisboa e passado uns tempos vai passar uns dias à sua terra e quando anda a ajudar na lida do campo, depara-se com um artefacto e pergunta o que é aquilo.   Quem a ouviu admirada pensou: “Esta está feita gente fina! Já não se lembra!” E logo de seguida, a moçoila, pisa o artefacto que salta e o cabo bate-lhe na ponta do nariz, mesmo   em frente aos olhos e diz : “Ai! O filho do caraças do ingasso! Para longe o leve um enguisso ou um raio que o parta ! ““Ora toma que já aprendeste ! Agora já te lembras do nome desta coisa ?”   Pergunta com uma certa dose de ironia a admirada testemunha.    São agora uma da manhã de sábado. A “malhadeira” talvez por se ter acabado o gasóleo , cala-se.   Talvez agora consiga pregar olho, __ pensei.   São uma e vinte e do sono nem sombras .   Uma e vinte e cinco e a “malhadeira” recomeça a tarefa.   Nem é tarde nem é cedo , é agora mesmo e é já .   Levanto-me , vou até à sala . ligo a Tv. e nem de propósito, está a começar o filme __O Crime do Padre Amaro __versão de cinema, alterada, modernizada adulterada! Em relação à história original do livro do grande , Eça de Queiroz . Mesmo assim, pondo de lado essas diferenças e até porque a mensagem principal do tema tratado no original escapou à esponja, acabei por gostar.    Aquelas imagens sensuais acabaram por me despertar ainda mais .   Tenho ouvido dizer, __barriga de padre__, quando alguém quer chamar de comilão a outro alguém. Mas realmente não só têm barriga como dente guloso ! porque petiscos daqueles não são para dente de  toda a gente .   São três e meia. O filme acabou . E agora, o que faço  para passar o resto do tempo ? Pensei.   Vou até ao computador porque lá o tempo passa.   Passa, não, voa sem que me aperceba!    Escrevo até às quatro e vinte e cinco. Desligo tudo pois que são horas de  marchar .   Rodo a chave da ignição e logo a voz do Robert Plant se faz ouvir .   É disto mesmo que eu preciso. De uma voz de alguém tão desesperada quanto eu .   Até ao cruzamento da Industriestrasse com a Löwenstrasse , não vislumbro vivalma ,  nada nem ninguém . Está tudo a dormir . Gente, carros e animais.   Vindos lá do fundo junto ao lago surgem agora dois carros .   Foram os únicos que encontrei nesta   viagem .    O Robert Plant canta a canção ,   __ Since I´ve been Loving You __Desde que eu andei amando você __ .   E  desesperado diz que anda trabalhando das sete às onze , todas as noites . “Aguenta aí rapaz . Eu trabalho nessas e noutras . Trabalho nos malditos turnos que são a forma mais idiota e lenta de morrer . __Suicídio involuntário __. Diferente do voluntário que permite  decidir onde , quando ,e como  ir fazer tijolo” .   __Disse que tenho chorado / Minhas lágrimas caem como chuva /Você não ouve ,  você não as ouve cair?__     Continua ele lamentando-se .“ Mais uma vez te digo : __Aguenta aí rapaz porque não és o único nem serás o último “.     Isto faz-me lembrar de coisas e factos . Rebobino a cassete de outros tempos em que também já chorei lágrimas silenciosas em  teu cúmplice ombro.    Vou agora a passar junto ao ninho ou ao poiso ,( como lhe queres chamar ? )  Sim , é para ti que agora falo …   Como estás ? Há já tanto tempo ! Parabéns pelo teu silencio!   Dás-me um pouco da fórmula? Que tal , talvez um simples olá me baste … De sexo e amor todos precisam . Uns mais, outros menos . Uns assim , outros assado . Até as  moscas gostam !    Já ouvi o Leo Sayer a dizer : When I Need You __ “Quando eu preciso de você “.    Estás a ver ? ele também assume que precisa .            Os Inxs cantaram: I need you tonight. “ Eu preciso de ti esta noite “.   Estes são esquisitos preferem à noite !    Há tanta gente carente por isto , por aí a  berrar !    Só me lembro da Jane Birkin com a sua muito célebre canção  __  Je T´aime Moi Non Plus __ , que extasiada já com as medidas bem cheias , dizia : “ Eu te amo / Sim , sim eu te amo / Eu mais ainda / Ó meu amor / O amor físico é sem saída / Eu vou e eu venho / Por entre teu dorso / E eu me detenho / Não ! Agora ! Vem !”      Vêm-me à memória certos sons que até me fazem arrepiar !   “Can you remember,remember my name__    cantava o Ian Gillan na canção __Perfect Strangers__ “.   Eu faço minhas as suas palavras e acrescento mais isto que se segue, para te perguntar se por acaso ainda te lembras de algo meu? Dos traços do meu rosto, da cor dos meus olhos, do brilho da minha careca, do encanto do meu olhar esgazeado “ meio louco …,“ como tu o classificavas!   Ou as intempéries e a corrosão dos tempos já levaram tudo, envolto em poeira, na asa do vento?   Só para te atiçar os neurónios toma lá esta : __So long   / I´ve been looking too hard I´ve been waiting too long .  __  <<Por tanto tempo …/ Tenho procurado tanto ,estou esperando há tanto tempo …>>    Eram os Foreigner que diziam . Ainda te lembravas disto ?         Noutros tempos esperei uma rapariga como tu que viesse e entrasse em minha vida  . Encontrei…, encontrei-te, tu que vieste, tu que foste. Na Asa  do Vento                    Há muito , muito tempo !Partiste em silêncioSentada na asa do ventoNo desejo do momento . Sem  pena de mimLevaste o nosso amorE deixaste apenasO suave odorDas açucenasDaquele jardim. Sonho contigoPorque me fazes sofrer assim ?  Beijo-te sem te ter!Toco-te sem te ver!Suave sensaçãoTenho-te aqui na minha mão! Dá-me o teu calorDá-me o teu amorSuave sensaçãoTenho-te aqui no coração.         Queres saber uma coisa? Isto, um dia foi musicado e  saiu  uma  canção engraçada  .  Mas por causa de um “Maneger” da treta  , ainda hoje estou  esperando uma cópia . Azar o meu !   O Robert Plant acompanhou-me até à curva que tem o radar e dá inicio à recta do Jumbo .   Ele cala-se e outro se segue . Não me agrada, depressa lhe aperto o papo . Rei morto rei posto . Outra voz se faz ouvir .    Era mais uma voz ideal para o momento .    Agora sim, esta sim, esta vai ser a cereja em cima do bolo deste meu festim, __ pensei.     São os Righteous Brothers com a sua Unchained Melody que alguns traduzem como: __”Melodia do Desespero”. Outros chamam-lhe de: __ “Canção Desacorrentada”.    Seja como seja, assim como assim, o cantor realmente grita desesperado. E com garra desenfreada canta: __Meu amor , minha querida / Eu tenho ansiado por seu toque / Um longo tempo solitário ./ E o tempo passa , tão lentamente / E o tempo pode fazer tanto/  Rios solitários flúem  para o mar , para o mar , / Para os braços abertos do mar . / __        Etc, etc, e etc. Mas como estou a chegar à fábrica mais não te digo . Excepto : Se puderes , passa bem e sê feliz .                Estou já na fábrica . Espreguiço-me . Que bom! Talvez assim afugente esta preguiça e arranje algum apetite para o trabalho que me espera e me acompanhará manhã fora até ao meio-dia .   Pelo corredor vem a chegar   a minha colega Marta .    Ela que , quando passa , com  a sua simpatia , a todos fala e a todos encanta com o ar da sua graça . Depois , na grua onde trabalha , de lá de cima , repimpada na sua cabine, com a autoridade de quem está por cima , tudo e todos domina .__Bom dia , Carmindo .  __Bom dia Marta, __ respondo.__Que é isso ? A espreguiçar-se ?!  Parece mal !__Parece mal dizem as más-línguas! Mas alivia!    É preguiça e mal do dono digo eu em jeito de brincadeira .__ Se você soubesse o que me aconteceu …__ Agora , já hoje ? Pergunto reparando nas horas .__ Agora , agora não , mas há um bocado quando vinha sair de minha casa para vir trabalhar encontro ao fundo das escadas a minha vizinha , uma senhora já muito velhota em cuecas …__Em cuecas e morta ? Pergunto eu interrompendo-a e antecipando para o acontecido um fim sangrento, trágico, logo e tão rápido imaginado. “Mas porque será que a gente só  vibra com sangue e cenas maquiavélicas e mórbidas ?” São influências dos noticiários,  sensacionalistas , de muita violência impregnados , por uma certa imprensa  sedenta de impacto para fazer subir as audiências . __Não , credo ! Que coisa  você   havia de imaginar .Estava muito assustada porque não tinha luz em casa e pediu-me para a ajudar . __Se tinha assim tanto medo , que se enfiasse na cama e se tapasse , orelhas e tudo , e esperasse pela manhã .Bastava deixar o nariz de fora como eu fazia em pequeno quando tinha medo , ( realmente de velho se torna a menino ) !     __Coitada da senhora ! Estava tão assustada ! __ Diz a Marta com um ar realmente dorido .     À pressa lá fui à cave ver os fusíveis e voltei acima a minha casa buscar uns que para lá tinha que me pareceram iguais .   Meti-os mas não deram luz .__Também fundiram , quer você dizer . Pois claro !  Se calhar não eram mesmo iguais , sentenciei .__Eram do mesmo tamanho , diz ela admirada por a sua acção não ter resultado .__São daqueles de porcelana de enroscar ?__Sim desses mesmos . __Pois até serão , pelo menos fisicamente, senão nem sequer enroscavam , mas há que ter em conta a amperagem .   Em cada aparelho , até numa simples lâmpada existem    consumos diferentes . Por isso há que ver bem a referência  neles inscritos .    O relógio tocou e interrompeu aquela aula matinal de electricidade . Que raio! Àquela hora com tanto mais importante para fazer !   O relógio tocou e determinou : toca a trabalhar, não há escolha nem alternativas para ninguém , eu é que mando.   E pronto lá fomos , como meninos obedientes vergar a mola  até ao meio-dia .   Chego a casa e de pronto pergunto à  minha mulher .__Há algo importante a tratar ? Não ? Ainda bem ! Vou já fundear no mar dos lençóis carregar as baterias .      Já sei ,  não digas o que dizes sempre .” Só pensas em dormir “. Mas que porra !É sempre igual , quando  vou dormir é para compensar a descarga da véspera . Ando sempre descompensado .   A partir deste momento estou incontactável . Despertar-me , só para caso de vida ou de morte , quanto ao  resto , nada para ninguém . Estes malditos turnos aos poucos matam-me , digo-lhe.   Depois da sesta,  já retemperado , ligo o computador e fico lixado ao constatar que tudo aquilo que tinha escrito com a pressa  de ir trabalhar não devo ter memorizado e foi tudo pró caraças . Que grande merda ! Com isso, fiquei  muito chateado e com a tarde estragada.     Vou ter de remexer no caixote para ver do que me lembro . O pior é que muita coisa não me vou lembrar com certeza . Muita coisa vai sair diferente. Melhor ? Pior ? Igual não sairá certamente .    Ainda por cima escrevo só com um dedo . Que trabalheira !  Agora reparo que muita vez me lamento do trabalho e dos turnos. Quem me leu até aqui e nisso reparou, certamente pensará : “que grande  moinante  que não gosta de trabalhar!”Mas não é nada disso. O que se passa é que não gosto do que faço, e pronto.A minha grande paixão é a electrónica. Ainda me lembro como ficava embasbacado a olhar para a televisão, admirado e a pensar, a tentar adivinhar como era que aquelas imagens de pessoas e bichos saíam daquele grande caixote.Logo que cheguei a Lisboa inscrevi-me num curso por correspondência e para isso o meu pai teve que me dar a emancipação, ou seja, passei a ser de maioridade antes do tempo normal.Nessa altura eu morava na camarata do hospital e devido a não ter um espaço meu para estudar à vontade, não consegui concluir o curso. Às vezes, acontecia que algum colega que tinha visto luz, por baixo da porta, aproximava-se e ao ver que eu estava tentando estudar dizia: __Pronto então até logo.__Espera aí, aonde vais?__Olha vou ao baile dos bombeiros, vinha ver se querias ir mas como estás entretido, deixa para lá.__ Deixa para lá não, espera um pouco que também vou.Eu era um rapaz “afogueado” também gostava da rambóia! Assim era muito difícil acabar os estudos.Mais tarde já na Marinha consegui entrar para electricidade.Aí, eu só com a minha quarta classe mas com base nos conhecimentos adquiridos na frequência do tal curso dei cartas a muitos que tinham mais habilitações durante a maior parte do curso. Cheguei a ser o explicador de serviço. Tirei vários dezoitos e só não “cheirei” algum vinte porque o próprio professor me chegou a dizer que nunca deu vinte a ninguém porque isso seria cem por cento e cem por cento não há em nada, nem na pureza de uma gota de água. Mais tarde quando apanhámos pela frente matemática e álgebra aí eu vi-me à rasca, aí a porca torceu o rabo, mas aqueles a quem eu tinha ajudado, retribuíram e ajudaram-me.     E o bichinho continuou a roer!Logo assim que saí soube que havia uma escola ao vivo na Amadora. Sem demora inscrevi-me. E aí a cena da entre ajuda repetiu-se. Dessa vez acabei. E então já colado à minha banquinha da reparação eu perdia-me no tempo. A minha mulher, para comer, chamava-me várias vezes. E eu ali entretido, a mexer nas tripas das televisões e dos rádios nem sentia fome. Porque tinha os olhos e a barriga prenhes de felicidade. Por isso repito nunca fui calão.Felizes daqueles que conseguem alcançar como profissão o que sempre sonharam.   Já agora acrescento que não consegui fazer disso profissão nem como empregado nem por conta própria porque não tinha carro e tinha que andar quilómetros com as Tvs. às costas a ter que parar muitas vezes pelo caminho e ainda tinha a mala da ferramenta para transportar.O dinheiro era pouco não tinha peças em stock, perdia dias de loja em loja, nos transportes públicos à procura de peças que por vezes estavam esgotadas e isso complicava muito o sistema, até porque o cliente esperava muito e privado das suas novelas desesperava. Assim tive que emigrar e me tornar num emigrante desiludido, torturado, desmotivado, etc.Enfim…Vida de pobre!  

 

publicado por Entra ou Sai às 18:47
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Na Fábrica

NA FÁBRICA

Na fábrica tudo ginga sobre rodas. Ou melhor: até agora tudo gingou e a hora da pausa chegou. E isso, agora para mim é o mais importante.São horas de carregar baterias. Vou até ao parque de estacionamento, para merendar algo e sobretudo apanhar um pouco de ar fresco e puro.O pão está salgado. Esmigalho um pouco e deito as migalhas para o chão tendo o cuidado de as atirar para sítio onde os carros ao passar não as estraguem e os pardais meus amigos por quem espero, (porque é habitual virem), as possam comer mais tarde se acharem por bem. Não me preocupo com o facto de estarem salgadas pois que para beber, têm muita água no lago.Para beber eu tenho uma garrafa de, panaché__.É uma mistura de cerveja com limão, __sem álcool como mandam as regras.Um dia o Betriebe Leiter, __ chefe, ou responsável pela produção __, quando ao fim da jornada se aproximava do carro para se ir embora até ao Cantão de Zurique onde tinha residência, (a acreditar pela matricula do carro), olhou e vi bem que olhou com olhos de ver bem e deve ter pensado que eu estava a beber cerveja com álcool porque a cor da garrafa, habitual nessas garrafas é escura sem diferença entre a que tem e a que não tem.       E eu a topar e a pensar: “Ele vai dizer: __Sr. Carvalho, não sabe que o álcool é proibido?”__. “ Veja bem que está enganado, olhe e veja bem que é sem álcool. Vem cá vem que levas troco. Vem cá vem que vens de carrinho e vais de patins! “ __ Dir-lhe-ei.Mas não, não veio. E isso é muito mau porque esta gente na maior parte das vezes, não sei bem porquê, talvez por cobardia, não avançam e depois encarregam os subalternos de darem a cachaporra nos desgraçados. Já na tropa era e com certeza que é e continuará a ser assim: por ordem hierárquica, __do Oficial para o Sargento, do Sargento para o Cabo, do Cabo para o Soldado e do soldado para o cão, (quando e onde os há). E fica por aí, porque o desgraçado do cão não tem em quem descarregar.Mas não veio e deixou-me sem possibilidade de lhe espetar a chapada sem mão que tinha preparada e seria por certo muito saborosa.Lembro-me do meu amigo Margarido, o Italiano que se reformou há já muito tempo. Havia apenas uns dias que eu tinha chegado à fábrica e um belo dia encontro no chão do vestiário um crucifixo, por sinal bem grande e pesado.Fui até ao escritório e entreguei-o.Passados uns minutos, ele mesmo veio agradecer-me o feito.Ficou muito contente e disse-me que era uma velha prenda da mulher e que para alem de ele, também ela iria ficar muito triste com aquela perda. Assim, ficou muito agradecido e de vez em quando repetia esse episódio aos recém chegados.“O Carvalho é uma pessoa em quem se pode confiar”.E lá vinha o resto do episódio, igual e repetido Diga-se de passagem que isso me deixava num estado muito elevado de satisfação, talvez até de vaidade. Mas que importa? Quem não é, nem que seja um pouco?     Mas falo dele aqui e agora porque me lembrei que ele muitas vezes trouxe para a merenda duas servelas. Uma para ele e outra para um raposo.Digo raposo porque tenho que o classificar, ainda que nunca lhe tenha visto o escrito, o chamado bilhete de identidade.Mas isso não importa porque também se diz anjinhos sem saber ao certo se são uns ou umas. Se são anjos ou anjinhas. Sim porque não? Essa coisa só haverá no masculino? E isso ao ser pensado assim, não será mais um caso de puro machismo?Eu sou homem e defendo os da minha “Bandeira”mas não posso usar tais tratamentos. Até porque tenho três filhas e já tive uma gata e agora tenho outra e porque nada tenho contra nem nada a opor contra o sexo oposto.  Que raio! Lá estou eu a desviar-me deste relato.Dizia eu que ele trazia as ditas servelas, colocava uma no chão do parque de estacionamento, lá no meio, voltava e esperava.O raposo aproximava-se, pegava-lhe e afastava-se.Afastava-se, mas sem nunca se esquecer de olhar para trás.Talvez a dizer, (sim porque com os olhos se diz e se pode dizer muita coisa), __ adeus amigo, muito obrigado e até amanhã.Aquela coisa conhecida por servela, é um enchido que tem dentro uma carne que foi triturada e ficou toda da mesma cor e sem nervos nem ossos. Só aqui é que eu conheci aquela coisa. Custou-me muito a habituar-me, porque estava habituado aos nossos enchidos, os famosos fumeiros, bem temperados. Finalmente chegam os meus amigos pardais. E eu a pensar que desta vez não vinham.Mas vieram e ainda bem porque estava a ficar preocupado.Pé, ante pé, se vão aproximando. Alguns muito tímidos ou mais receosos ficavam para trás. Um mais afoito vêm até mais perto, apanham umas migalhas e vão colocá-las debaixo de carros, para que os outros se sirvam, democraticamente, sem atritos. Voltam e dizem qualquer coisa, (para mim indecifrável), mas que entre eles funciona.Pudera! Nunca a mãe natureza me ensinou a forma de descodificar ou interpretar tal linguagem.Mas há momentos em que nos entendemos. E isto acontece com todos os mortais. Sim porque os mortos, esses é que já não comunicam de forma nenhuma. Penso eu de quê.Momentos esses, em que um gesto feito e entendido no momento certo, vale por mil palavras e por mil imagens. Um mais afoito diz qualquer coisa que eu interpreto por:       “Vinde, não há perigo. Este conheço-o bem. Este é de boa cepa. Esta é boa rês “. Esses tais sinais ditos ou feitos levava os mais tímidos a arrimarem-se.Mas, antes, também eles diziam de sua justiça.E eu deduzo:  “Estão a dizer que nunca é de fiar. Que ouviram dizer que lá para os lados de entremeios de Rorschach e Goldach há umas hortas onde uns primos há uns dias foram surpreendidos e apanhados em armadilhas às quais não conseguiram escapar.E foram temperar umas paparocas de uns humanos gulosos e sem escrúpulos”. Se foi isso que estavam a dizer, sei bem que tinham razão.Já há muito tempo que sei que vi e ouvi tais coisas.O relógio tocou. Esse maldito relógio que só é bom e lindo quando toca a hora de saída. Aí sim! Aí é lindo para mim e para quase todos os outros! Uns assobiam, outros até cantam!Mas há alguns que por certo isso não lhes agrada. Porque só vêem e vivem para a fábrica. Chegam cedo. Com trinta ou quarenta minutos de antecedência e me deixam a matutar:    Mas será que esta gente não tem família? Será que esta gente não sabe fazer mais nada senão trabalhar? Será que não têm mais nada que fazer? Será que casaram com o trabalho? Será que eles são os sãos e eu o maluco? Será que são melhores trabalhadores? Mas como, se eu faço o meu trabalho e ninguém o faz por mim?  O relógio tocou, disse eu. E lá vou vergar a mola mais um pouco para que o patrão não se queixe.  Mas antes, seguindo o exemplo do raposo digo aos meus amigos pardais:Adeus amigos, até amanhã, passai bem e tende cuidado.          

 

 

 

 

 

publicado por Entra ou Sai às 18:45
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Finalmente

Finalmente

O sol está lindo! Doirado, morno, neste Outono.    De rua em rua esticando as pernas, sem pressa nenhuma, vou passeando.    Chego ao cruzamento que é quadrado, e que é usado pelos Italianos como sala de reuniões. Quem os quiser encontrar, não precisa de noutro sítio os procurar, ali certamente os vai encontrar.    Numa das esquinas viradas para a serra encontra-se o Migros, na outra a Coop.    Numa das esquinas viradas para o Lago está o espaço __que por mudar tanto de dono e de conteúdo, chamo -lhe de, __multiusos __.    Na outra está a Ex. Libris com os seu discos e afins, e o Kiosk onde muita gente sonha acertar na sorte.    Vou até ao Cuba Libre e enquanto rego a goela preencho o papelinho que me habilita ao grande jogo do, __Euro milhões.     Em frente à Tv. Preparo-me para controlar os números.    Sai o primeiro, certo. Sai o segundo, certo. Sai o terceiro, certo. Pronto já ganhei para a despesa! __Pensei.    Sai o quarto, certo. Sai o quinto, certo. É pá! Já me chega. Isto já dá muita massa!    É agora a vez de saírem os números correspondentes às bolas das estrelas.    Primeira, certo. Segunda, certo.     Até que enfim! Finalmente! Depois de tanto jogar! Depois de tanto sonhar, de olhos abertos, eis que aqui está!    Sei que eram muitos os milhões
em jogo. Calculo que muitos serão os que me vão tocar.
    Incrível! Estou calmo. Tenho ouvido dizer que muitos se passam da tola, mesmo ali no segundo seguinte.    Eu continuo são que nem um pêro.      “O Povo é sereno! Se dúvidas houvesse , esta era a prova ,  ó Carmindo . És do povo e estás sereno”.  
     Começo a fazer cálculos e planos para gastar tanta massa.    Quando a receber, vou alugar uma coisa que voe e de lá de cima, vou espalhar ao vento muitas notas.     Vou-me divertir ao ver aqui em baixo as pessoas na azáfama da apanha.     Alguns aproveitarão o que tiverem à mão, para apanharem mais quantidade.     Se chover vão ficar admirados: __Que é isto? Dinheiro na chuva?! Depressa todos pensarão em virar os guarda-chuvas ao contrário para guardarem mais.   Amanhã vou ligar para a Tv. a dizer que pago a cadeira de rodas àquela senhora que há dias lá esteve a pedi-la por caridade.    Que ajudo aquela que pedia apoio em nome do filho portador de doença rara. Mais aquele desempregado, de momento enrascado.   Sim, vou ajudar estes e muitos mais.   Vou mandar à fava, para as ortigas da outra banda todas as editoras sanguessugas, que contactei.   Vou editar os meus livros. E, de manhã vou para a porta da igreja, e de tarde para os supermercados dá-los a quem os quiser aceitar. Basta-me a promessa de que cuidarão bem deles. Já tenho pregão: “ Quem quer quentes e boas? Quentinhas! “   As pessoas irão parar e estupefactas irão perguntar:    “Aonde, elas estão? Que não as vejo!”   “ Tenho-as aqui nas minhas mãos, __tome ofereço-lhas. São palavras minha Senhora, só palavras”.   “Áh! Palavras! Dê-me meio quilo delas por favor “.   “Obrigado minha Senhora. Coma-as devagar como se fossem castanhas, quentes e boas”.   Penso que vou ter que mudar de ares para fugir aos amigos de ocasião. Os da “midia” não tardarão a descobrir e então…   Para onde hei-de ir? Talvez para o grande Brasil. Não é para lá que vai a gente que foge?    Para lá, já foi um padreco a fugir ao rótulo de badameco.Uma de nome Felgueiras para lá foi para se livrar das frieiras que lhe mordiam, como se não lhe bastasse já a dor de calos apertados.   Coitado de ti, __Ó Brasil, grande Brasil! __Tanto gostam da protecção da tua enorme asa.   Talvez devido à fama dos recentes mensalões e dos antes seculares portos de abrigo onde os maiores corruptos escondiam seus proventos de milhões.   Mas eu não irei fugido à justiça, apenas às melgas que não tardarão a rondar-me a porta.   Tantos milhões! Quantos francos? Quantos contos serão?    Também tu, ó pá!    Há tanto tempo após a entrada em vigor dos Euros, e ainda a pensar em contos?!    Em Francos, ainda vá lá. É a moeda corrente desse país onde te encontras e é normal que penses neles para poderes calcular os casarões, os carrões que agora podes comprar.     Acordo. Abro os olhos. A sesta de tarde de domingo acabou. Ora que porra! Afinal foi só um sonho. Um rico sonho, sonhado de olhos fechados.    Visto-me. Apalpo os bolsos e encontro uma nota de vinte francos.    Preparo-me para sair.  Aonde vais a esta hora? __Pergunta a minha mulher.  Vou dar uma volta ao __bilhar grande __, ao redondel do costume: à Caravela, ao Centro e à Casa do Benfica.    Vou comer uns caracóis e beber umas imperiais, para ver se esqueço este sonho.__Sonho, que sonho? __Deixa para lá, depois te conto.__Agora vou, mas venho depressa. Amanhã estou no turno da madrugada e é segunda-feira, maldita será como têm sido todas as outras!   Ainda por cima vou ter que continuar a trabalhar, teso como sempre, __resmungo, deveras muito chateado.    Espreito pela janela, e o sol lá está. Lindo, doirado e morno, __sol de Outono.     Valha-me isto, ao menos o sol é real. E aqui por estas terras é coisa rara.     

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Entra ou Sai às 18:40
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General ainda vá lá !

  General ainda vá lá !

                                                                           Hoje é Janeiro de dois mil e sete.Um homem, que é Sargento do exército está preso. É mais um entre tantos reclusos. Mas este tornou-se muito especial. O seu feito apaixonou meio Portugal. Tornou-se num herói ao preferir ir preso do que denunciar o paradeiro da sua mulher e de uma menina que adoptaram às margens da lei, com um papel que pelos tribunais foi considerado nulo.  Não acatou o decidido em tribunal e foi de cana.  Para que o homem fosse libertado, alguém pensou e iniciou um abaixo-assinado que juntou umas dez mil assinaturas. Entre elas constam as de algumas figuras públicas, tais como as das duas ex. Primeiras Damas. “Soltem o homem!” Ouviu-se à voz esganiçada de uma garganta que com aquele olhar esgazeado, formaram um púlpito de onde a sua dona botou palavra gritando ao mundo a sua justiça.Grande lata o homem teve! Então isso era coisa que se fizesse?! Ao menos poderia ter esperado pelo Carnaval que é tempo em que ninguém leva nada a mal, dizem.Ou então esperar para quando fosse um emproado, garboso e enfeitado general. General, ainda vá lá! Agora, um roliço Sargento! Francamente! É lá coisa que se veja?! 

 

                                           

publicado por Entra ou Sai às 18:34
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